sexta-feira, novembro 11, 2005

show me the money!

Num final de ano, em vésperas de matrículas, ouvi: Tu é que eras mesmo rapariga para fazer o site da escola!
E fiz. Em poucos dias o essencial estava publicado. Depois das horas do trabalho diurno, chegava a casa, jantava e sentava-me ao pc. Lembro-me de ter ficado pelo menos três vezes até às 2 da manhã a trabalhar nessa semana. É óbvio que nunca ganhei mais cobres por isto.
Depois do verão, nesse ano, fiquei responsável pela manutenção e actualização da página. Contemplaram-me no horário umas horitas para essa tarefa, o que achei até muito razoável. Foi um fenómeno de sucesso. Todos gabavam o meu trabalho, todos queriam por qualquer coisa na página da escola. E eu lá ia fazendo a página crescer.
Este ano dou cinco disciplinas diferentes. Tenho seis turmas, três das quais são as piores da escola, sou coordenadora de departamento, sou responsável pela revisão do regulamento interno da escola e mais umas coisas que não vêm ao caso. Não me foi atribuído tempo semanal no horário para a manutenção da página. Imagino que a ideia seja fazer este trabalho ao chegar a casa, assim género hobby. Por exemplo: “Tica, hoje as aulas foram mesmo cansativas. Sabes o que é que me apetece mesmo fazer? O mapa do horário de atendimento dos directores de turma!! É isso mesmo! Depois de jantar vou fazer isso para relaxar!”
Na escola já ouvi:
“Ó melher, o que é que tu andas a fazer que a página tá tão desactualizada??? As pessoas andam a queixar-se que não tá nada em dia!”
Na realidade ando a aprender. Os meus patrões ensinaram-me que quem trabalha de borla é burro. E eu aprendo com facilidade. Não me aumentam porque não há dinheiro. Está certo. Congelam-me a carreira porque não há dinheiro. Eu entendo. Na escola temos de trabalhar com turmas de 30 alunos porque o estado está pobre. Compreendo. Mas a lição de 13 de Outubro também entendi.

Este ano não há página da escola para ninguém. Eu também sou licenciada. Temos pena.

|

terça-feira, novembro 08, 2005

60 vezes sem carta, também me aconteceu, mas foi num jogo de poker

Notícias para cá, notícias para lá, às tantas sai aquela do rapaz que foi apanhado 60 vezes ao volante sem carta de condução. Descia as escadas do tribunal com ar feliz e contente e os amigos rejubilavam de alegria pela justiça feita. A mãe do jovem durante a entrevista explicou: "são coisas próprias da idade."
Fiquei a pensar: eu devo ter tido uns 21 anos muitos estranhos.

|

quinta-feira, novembro 03, 2005

...um mês depois...

E o que mudou?
A rua principal aqui do bairro já tem decoração natalícia. O castanheiro-da-índia perdeu as folhas. É escuro muito mais cedo. Os móveis do escritório são novos e os papéis estão arrumados. Já não cai água na casa de banho dos vizinhos de baixo. Estamos um pouco mais magras. A piscina já está tapada. O número do contador de visitas do blog é superior ao do conta-quilómetros do meu carro. Já marquei uma falta disciplinar.
A verdade é que quando chego a casa estou tão cansada que não sinto o apelo da laboração posteira. O mais parecido que consigo fazer é pegar em duas postas de pargo colocá-las sobre a cebola na travessa, e depois já sabem, batatinhas redondinhas ao lado, rega-se com vinho branco, um pouco de azeite, sal e pimenta q.b., e forno (há quem ponha colorau).
Eu não era assim, e só consigo culpar a escola por me sentar no sofá e adormecer às dez e meia da noite!
Mas hoje, entre os ensaios e as tentativas de escrever um discurso, consegui vir aqui matar saudades. Se nos quiserem ver mais logo, acho que subimos ao palco logo a seguir ao Robbie Williams, isto se não mudarem outra vez o alinhamento. Tem sido uma canseira, isto dos prémios.
Image hosted by Photobucket.com

|